Os dois caminhos

No último post, apresentei um esquema que fiz no Prezi sobre o processo tradicional para ter um livro publicado: contar com uma editora. Mas esse não é o único caminho possível, embora seja, para muitos, o mais atraente. Hoje vou comparar esse processo com a autopublicação, tentando deixar claro quando um ou outro é mais adequado.

Um texto com potencial para publicação por editora deve buscar esse caminho, pois isso com certeza tornará mais fácil que ele alcance seu público, que até poderá ser ampliado. Agora, um original que não se encaixa nesse perfil não precisa ficar escondido na gaveta ou ser exaustivamente submetido às editoras; a autopublicação pode ser o meio termo entre a vontade do escritor e as possibilidades do texto e, mais do que isso, pode ser a opção ideal para determinados projetos.

Publicação tradicional

Processo: autor escreve, submete original para avaliação da editora, que decide publicar e cuida de todas as etapas de edição, publicação, divulgação e distribuição.
Prós: o autor não arca com o investimento e não corre riscos (tudo é responsabilidade da editora); há quem considere que essa modalidade confere maior “legitimidade” ao texto publicado; há menos preocupações e trabalho para o autor, que tem o apoio de uma extensa equipe de profissionais.
Contras: o autor tem pouco controle sobre o produto final; a margem de ganho por exemplar não é muito grande; a lógica de publicação é norteada por muitos fatores externos: desde o próprio mercado até questões políticas e culturais das editoras.
Perfil dos textos/livros: o texto precisa ter potencial para alcançar público suficiente a ponto de justificar o investimento da editora, evitando prejuízos. Não necessariamente esse público precisa ser vasto e difuso (como é o caso dos best-sellers), mas o produto final deve ter a capacidade de alcançar além do círculo íntimo e profissional do autor.

Autopublicação

Processo: autor escreve o texto, contrata diretamente revisor, diagramador, capista e a gráfica; ou realiza essas etapas sozinho; ou faz esse processo de maneira mediada: contrata uma empresa para cuidar de todas as fases (alguns chamam essas empresas de editoras, mas isso pode causar confusão; por isso, prefiro o termo prestadoras de serviço). A divulgação e a distribuição também ficam por conta do autor, a menos que ele contrate terceiros para isso.
Prós: independência, poder de decisão; margem de ganho por exemplar é grande.
Contras: mais trabalhoso; o autor arca com todos os custos (da revisão à distribuição) e com a possibilidade de prejuízos; há quem julgue como uma alternativa de menor “legitimidade”.
Perfil dos textos/livros: por não ser uma modalidade obrigatoriamente vinculada às necessidades empresariais ou de mercado (a menos que o autor assim decida), mas guiada pelas escolhas do próprio escritor, praticamente qualquer tipo de texto se encaixa. Alguns exemplos enriquecedores: edição bem acabada de trabalhos de conclusão de curso, mestrado ou doutorado; formatação em livro das anotações de aula de professor, para aquisição por suas turmas; livros de receitas tradicionais de uma grande família; memórias; textos de gaveta; “vitrine” para posterior publicação tradicional.


Observando de perto as diferenças entre uma e outra modalidade, percebemos que não há uma melhor ou pior do que a outra, mas sim uma mais adequada a determinado projeto do que a outra

Após o trabalho de escrita, o grande passo do autor é a autoavaliação. “Para onde vai meu texto? Qual é o caminho mais acertado para ele?” Essas perguntas devem ser respondidas por comparação, e temos que ser realistas: “como são os livros que estão onde eu quero que o meu chegue? Quem poderá se interessar pelo meu livro? Preciso modificar alguma coisa? Devo me esforçar para achar uma editora?” Depois de responder sinceramente a essas questões, o autor recorrerá com segurança à autopublicação ou iniciará a busca por quem o publique.

Por fim… Reparem que em nenhum momento eu falei de qualidade do texto ou do conteúdo. Aliás, usar essa noção quando falamos de cultura me incomoda bastante, e é uma coisa relativa, mas vou usar esse termo só para não alongar muito o post (e conversamos sobre isso em outra ocasião). A dita “qualidade” da obra não é um critério decisivo para determinar a que modalidade de publicação o texto irá se adequar melhor, mas se soma a muitos outros.

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