Por que as editoras (ainda) são importantes

Este post é a tradução de um artigo em inglês intitulado Why Publishers (Still) Matter, de Claiborne Hancock and Jessica Case, publicado em 25 de julho de 2014 nesta página do Publishers Weekly, que autorizou a publicação em português neste blog.

Editores independentes da Pegasus Books falam sobre os méritos da publicação tradicional

À luz de controvérsias recentes acerca da precificação e do desconto para e-books (vocês sabem de quem estamos falando), um assunto que com frequência deixa de ser abordado é a importância do editor moderno na criação de um livro.

Editoras exercem um papel fundamental na vida de seus livros. O que faz um livro surgir, em primeiro lugar, é a visão do autor. Mas cada história, narrativa ou romance se beneficia dos esforços de um editor – e da máquina editorial por trás dele – que compartilha a visão do autor e ajuda a tornar sua fruição possível.

Autores podem contratar editores freelancer, é claro, mas há algo único na relação que o autor tem com o editor que, além de aprimorar e refinar o texto original, também acompanha o livro enquanto ele passa pelas várias etapas de produção, design, marketing, publicidade e vendas. Ao longo dos últimos anos, enquanto o número de livrarias e bibliotecas despencava, o esforço de venda feito pelos editores e a defesa dentro do mercado tornaram-se ainda mais importantes. Dos pontos de venda tradicionais, lojas especializadas, aos distribuidores digitais, a editora oferece uma conexão valiosa entre o autor e o canal de venda. Embora seja possível para os autores estabelecer contato direto com alguns desses canais, é difícil que consigam, sozinhos, conectar-se com todos os distribuidores.

Os esforços do autor, de acordo com nossa experiência, são mais bem aproveitados nos aspectos criativos e promocionais dos negócios. Design é uma parte do processo de publicação que frequentemente é negligenciada. Diagramação atraente para livros impressos e digitalização inteligente para e-books fazem uma diferença enorme na experiência de leitura. E capas constantemente inspiram mais emoção do que qualquer outra etapa do processo. Sempre é empolgante ver como diferentes designers e editores interpretam temas e assuntos diversos enquanto criam uma capa. Das clássicas capas da editora Grove aos designs de Chip Kidd, a diversidade de conceitos artísticos torna a cena literária muito mais emocionante.

E, então, há publicidade e marketing. Resenhas e cobertura tradicional da imprensa de livros possuem um papel vital em informar o público leitor sobre novos trabalhos, e há um enorme horizonte de mídia alternativa que os publicitários mais antenados estão explorando. As relações pessoais que os autores desenvolvem com as equipes de publicidade de sua editora são essenciais para divulgar e promover os livros. Um único distribuidor digital simplesmente não é capaz de oferecer todos os elementos que são cruciais para o sucesso de um livro. A publicação tradicional não é perfeita – e nem todos os livros se encaixam nesse modelo – mas isso não diminui o valor que os editores agregam.

Enquanto as discussões sobre royalties [pagamentos de direitos autorais] ficam mais inflamadas, é válido examinar a partilha tradicional desses valores, aceita por agentes, autores e editoras há décadas. Os direitos de livros impressos são pagos com base no preço de capa – em oposição à receita líquida – para proteger os autores de descontos acentuados. No caso dos e-books, descontos promocionais por tempo limitado têm grande mérito, mas permitir que eles sejam precificados no mesmo nível que aplicativos para iPhone, por exemplo, diminui o valor cultural do trabalho de seus autores, bem como dos agentes, editores, publicitários e designers.

Uma paisagem literária vibrante depende de um ecossistema editorial variado. Se uma entidade domina todo o cenário, corre-se o risco de esterilização e comoditização [transformação em commodities] do valor intelectual dos livros. Um grande leque de talento e sensibilidade editorial – das editoras universitárias e independentes invocadas às de porte médio e às Top Cinco [Big Five] – são vitais para nossa saúde literária. Desde os primórdios da imprensa, editores têm formado parcerias com os autores para disseminar literatura à mais vasta audiência possível. E-books não mudam isso. No mínimo, as editoras tem a função cada vez mais relevante de proteger a propriedade intelectual dos livros de seus autores. A indústria editorial dos Estados Unidos tornou nosso legado literário um dos mais refinados do mundo – e vale a pena lutar por isso.

 Claiborne Hancock e Jessica Case são sócios-diretores da Pegasus Books, Nova York.

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