Cinco coisas que você sempre quis saber…

…sobre envio de originais para editoras!

Antes de começarmos, só quero enfatizar que transmito a minha opinião, baseada na experiência editorial, sobre o que acredito funcionar na prática. Isso não quer dizer que, seguindo essas dicas, seu texto com certeza vai ser avaliado e/ou aprovado. Acredito que, seguindo essas sugestões, é mais fácil evitar que ele vá parar no final da pilha de originais e não saia de lá nunca mais… A realidade, pessoal, infelizmente é dura: existem muito mais textos originais do que as editoras são capazes de publicar. Mas nem por isso vocês devem desistir, o processo pode ser longo, mas se você acredita em seu trabalho, em sua arte, deve defendê-los.

1. Por que eu tenho que “pesquisar” sobre a editora primeiro?
Porque isso aumenta as chances de o seu original ser avaliado. Com a pesquisa (uma visita atenta ao site da editora pode ser o suficiente!), você descobre se a editora estipulou regras para o envio de originais (se isso foi feito, a equipe simplesmente ignora os originais enviados em desacordo) e identifica a linha editorial.

Ter certeza (ou quase, pelo menos!) de que o seu texto se encaixa no perfil da editora é fundamental. Não adianta enviar romance adulto, se a empresa só publica livros infantis; não adianta enviar obras religiosas se a editora nunca publicou nenhum livro desse genêro. (Para ajudá-los com isso, planejei uma categoria de posts chamada “Perfis editoriais”, em que vou escolher uma editora como exemplo e mostrar como identificar as linhas editoriais, as regras de publicação… Assim ficará mais fácil fazer a pesquisa de vocês no futuro.)

2. Preciso mandar sinopse, carta de apresentação, currículo, cópia de documentos?
Sinopse é fundamental, mesmo que a editora não peça; você já tentou ler um livro sem absolutamente nenhuma informação sobre ele? O leitor fica perdido sem esses apoios; é também para essa finalidade que existem textos de orelha, de quarta capa, de divulgação…

Por outro lado, a editora não está avaliando só o seu livro, já tem muitos outros publicados, outros tantos em preparação… Já pensou se a sua trama for muito semelhante àquela de outro livro da editora? Por mais que o texto seja bom, isso pode ser empecilho, o que é ruim para você, mas as chances de uma resposta mais rápida aumentam um pouquinho. Mais importante do que tudo isso, porém, é o fato de que a sinopse é uma ótima oportunidade para você “vender” seu texto, instigar o avaliador a mergulhar na leitura. 

Enviar uma carta de apresentação é de bom tom, na minha opinião (mas nada exagerado, nem palavroso demais!); assim a equipe da editora fica “conhecendo” o autor desde o princípio. Currículo é importante no caso de obras técnicas (por exemplo, se você envia um original sobre Direito, é vantajoso para você que a editora saiba do seu mestrado na área, em vez de ficar achando que o texto foi adaptado de um trabalho final da graduação). Para a área de literatura, vale mencionar cursos livres relevantes, graduação, mestrado…, mas talvez isso se encaixe na própria carta, e não na forma (engessada) de currículo.

Cópia de documentos: RG do autor, cópia do registro na Biblioteca Nacional, comprovante de residência… É bobagem enviar, é claro! Mas o que não pode faltar: dados para contato. É preciso informar e-mail, telefone e endereço, mas não só do lado de fora do envelope; você precisa ser fácil de encontrar!

3. Há uma formatação padrão para esse tipo de arquivo?
Não, a menos que a editora estipule em suas normas para envio de originais. Fora isso, valerá a regra do bom senso.

Para não errar: folha A4, margem padrão do Word (ou alguma coisa parecida com 3 cm ou 3,5 cm na margem superior; 2,5 na inferior; 3 ou 3,5 nas laterais), fonte Times New Roman, tamanho 12, entrelinha 1,15 ou 1,5. A impressão pode ser frente e verso (até porque é mais ecológico!) e, se for impresso, é interessante encadernar com espiral, para facilitar o manuseio. No caso de arquivos digitais, deve-se usar formato de Word (.doc ou .docx) ou PDF (se você usa software livre, converta para um desses formatos antes de enviar; o avaliador não vai gostar de perder tempo com isso, até porque talvez ele nem tenha instalado o software necessário).

Dependendo do tipo de texto (e de editora), você até pode ousar um pouco, deixando o original com “a sua cara”, para que ele se destaque em meio aos outros. Por exemplo, usando papel colorido em vez de branco na capa ou no texto inteiro, de acordo com o tema da obra. O problema com essas coisas é que podem dificultar a leitura, causar estranhamento, deixar o material com aspecto menos profissional, menos sério…

Para enfatizar, repito: bom senso e moderação. Vale mais uma formatação básica e limpa, de fácil leitura, do que algo mirabolante, diferente, mas que não inspira a confiança do avaliador. (Exemplos práticos do que “dá muito errado”: um texto de ficção para adultos, tom sóbrio, que aborda temas delicados todo diagramado em fonte Comic Sans. Um texto inteiro, seja qual for, em negrito ou itálico.)

4. E se eu já tiver o livro diagramado e ilustrado? Mando completo? A editora vai usar esse material que já está pronto?
Isso depende muito da situação… Estamos falando de quadrinhos? Nesse caso, texto e ilustrações não se separam! Estamos falando de um livro infantil, de um livro-imagem? Outro caso caso em que texto e imagem não se desvinculam (aliás, no segundo sequer há texto!). É um livro técnico e você encomendou as imagens com um ilustrador ou fotógrafo? Enfim… Faz sentido que você apresente o conjunto à editora? O projeto tem sua essência plenamente transmitida através do conjunto? Então… Acredito que você deve enviar tudo junto, da forma como foi idealizado.

Você escreveu ficção e tem algumas ilustrações produzidas especialmente para o texto, mas que não são imprescindíveis? Pode ser bacana enviar, embora não seja fundamental. Entramos aqui naquilo que vimos na questão anterior: é um diferencial que seu projeto vai ter, saindo um pouco do básico.

Em todas as hipóteses acima, contudo, acho importante vocês deixarem claro na carta de apresentação se estão dispostos ou não a terem as ilustrações e o projeto gráfico descartados e substituídos ou adaptados pela editora, bem como a questão dos direitos autorais das imagens. (É claro que o quanto o material pode ser modificado depende do tipo de original, mas acho que vocês pegaram a essência da coisa; isso se aplica mais àquelas imagens e projeto gráfico que não estão intrinsecamente ligados à essência do projeto.)

Vejam bem: a editora pode topar manter o que já está feito ou não. Se a equipe faz questão de mudar e o autor faz questão de manter, temos um impasse e a editora provavelmente vai recusar seu trabalho (de novo, as vantagens de jogar limpo e ter respostas mais rápidas). Já se você deixa em aberto, e a editora é daquelas que faz questão de mudar, pode ser que ela considere seu projeto inadequado e o descarte. Por fim, se você afirma que está disposto a mudar, não importa se a editora faz questão de projetos próprios ou se acata o dos autores, as portas estarão abertas e a questão será resolvida na hora de assinar o contrato.

Agora, você copiou e colou imagens da internet, durante seu processo criativo, para visualizar melhor o que estava fazendo… As imagens não são coerentes umas com as outras, são amadoras demais, serviram apenas como inspiração ou mote… Acredito que não seja o caso de enviar. Você envia o projeto pronto para a editora, as etapas do seu processo criativo não entram nisso. Mais para frente, se o texto for aprovado e você quiser conversar com o editor sobre alguns conceitos visuais para orientar diagramadores e capistas, aí sim pode ser o momento de usar essas imagens.

5. Tenho que registrar meu texto antes de enviá-lo?
Como expliquei em outro post, os textos não precisam de registro para serem protegidos pelos direitos autorais, mas esse é um excelente recurso como prova judicial e garante maior tranquilidade e segurança por causa disso. Se você vai se sentir menos preocupado registrando antes, faça isso. Se acha que não há risco de plágio ou coisa semelhante, dispense o registro.

No entanto, a menos que a editora peça um comprovante de que o texto foi registrado… Não envie comprovante nenhum, não faça questão de dizer que já registrou, nem de informar o número desse cadastro… Isso pode soar como: “olha, não adianta tentar roubar meu texto, já registrei!” E aí eu questiono: como você quer iniciar uma relação de confiança com o seu editor dessa maneira?

Por outro lado, o editor pode te pedir o registro antecipadamente como uma forma de se resguardar caso o plagiador seja você. Aí a desconfiança na relação surge da parte da editora… Sinceramente, acho que exigir o comprovante de registro no momento da submissão é um pouco de exagero. Contudo, entendo a preocupação jurídica da editora ao pedir, no momento de fechar o negócio, que haja uma cláusula ou termo independente em que o autor afirme e garanta ser o autor do texto e que não houve plágio.

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