MAIS cinco coisas que você sempre quis saber…

…sobre envio de originais para editoras!

O post anterior, com as cinco primeiras perguntas, está disponível aqui.

6. Eu não posso mesmo mandar por e-mail?
Não, não pode. Se no site da editora está escrito que ela só avalia originais enviados pelo correio, não adianta enviar e-mail. Se ela pede os originais impressos, é desperdício enviar CD, DVD ou pendrive. Agora, se a editora aceita originais por e-mail, vai com tudo, claro!

Bom, eu também acho que e-mail seria muito mais prático para os autores. E, sob certos aspectos, também para as editoras. Além de mais ecologicamente responsável. Mas não somos nós que decidimos, certo? A regra parte de cada empresa e se você quer fazer parte do time, o mínimo que tem que fazer é estar atento às normas da casa e se mostrar solícito. Afinal, como já disse no outro post: existem mais originais por aí do que as editoras são capazes de publicar. O autor que quer ser publicado não pode correr o risco de perder nenhum pontinho nessa competição.

E se vocês me perguntarem qual o motivo de tantas editoras exigirem originais em papel… Eu chutaria o seguinte: tradição e força do hábito (sim, isso ainda tem força no mercado editorial de maneira geral); é uma medida que desencoraja autores preguiçosos, menos comprometidos; é mais fácil controlar uma pilha de material físico do que e-mails; ter a caixa de entrada abarrotada de arquivos pesados e avisos de “nova mensagem” pipocando no monitor o dia inteiro são muito inconvenientes.

7. Eles vão realmente ler o meu texto?
Cada empresa tem uma rotina diferente para avaliar os originais, é claro. Mas existem algumas linhas gerais que são mais ou menos comuns à maioria delas.

O processo de seleção começa com uma triagem. Cada editora tem critérios próprios para isso, de acordo com a quantidade de originais que recebe e o tempo que pode dispensar para avaliar cada um… No entanto, podemos concluir com alto grau de certeza que serão eliminados aqueles texto que, de cara, não estão relacionados ao perfil da editora, não respeitaram as regras de submissão ou que têm sinopse e carta de apresentação muito amadoras ou com erros graves, por exemplo. (Eis porque, no post anterior, eu comentei sobre pesquisa, sinopse, respeito às regras…)

Depois disso, acredito que a tendência é que pelo menos partes iniciais dos textos sejam lidas, que o primeiro avaliador folheie o material, talvez confira as páginas finais… E essa é mais uma etapa de triagem, digamos assim. Os textos que passarem por essa “leitura rápida” podem ser encaminhados para pareceristas externos, para funcionários da editora (às vezes não só da equipe editorial, mas de vendas e divulgação também, por exemplo), que farão uma leitura completa. Ou quase completa: se o texto tiver algum problema grave (e, de novo, o conceito de problema varia de editora para editora!) não detectado naquela primeira “passada de olhos”, o original pode ser recusado neste ponto.

Algumas editoras podem pedir que esses leitores façam uma avaliação por escrito, a ser enviada para membros do editorial, que podem acrescentar observações e até recomendar a publicação ao conselho editorial ou editor-chefe (o “responsável” pela decisão de publicar pode ser apenas uma, ou várias pessoas). Em outras empresas, o processo pode ser mais flexível, no boca a boca.

8. Eu vou receber uma resposta? Vai ser rápido?
Talvez, mas dificilmente vai ser rápido. Aliás, quanto mais rápida a resposta, mais provável que seu texto tenha sido recusado numa das etapas de triagem. Por quê? É muito mais fácil ter certeza de que a empresa não quer se arriscar com determinado produto do que decidir investir nele e arcar com toda a sua produção. Porém, sempre há exceções.

Por uma questão de respeito e consideração pela confiança do autor no trabalho da editora, o ideal seria que houvesse respostas cuidadosas para todo mundo, mesmo no caso de recusas. Infelizmente, isso não costuma acontecer como regra geral. O que explica essa postura, embora não a justifique, é o grande volume de originais recebidos, combinados à enorme quantidade de trabalho das equipes editoriais. No mundo ideal, haveria funcionários dedicados exclusivamente à avaliação dos textos recebidos, certo? Mas na prática isso não costuma acontecer e os originais acabam mesmo se acumulando. Nesse contexto, enviar uma resposta atenta a cada original acaba sendo relegado ao segundo plano.

Então, o que o autor deve esperar da editora? Bom, algumas delas informam a postura que adotam juntamente com as regras de submissão. (Não queria soar repetitiva, mas lá vai: de novo, a importância da pesquisa.) A editora pode dizer coisas assim: se não houver resposta dentro de tantos meses, considere o original recusado; a editora se reserva o direito de não confirmar o recebimento de originais; se reserva o direito de informar a recusa sem justificativa; o prazo para resposta é de tantos meses etc… Ainda assim, pode ser (e eu me arriscaria a dizer que isso acontece com frequência) que a resposta demore mais do que o previsto, que a resposta não chegue, que a recusa seja ainda mais sucinta do que a editora havia prometido…Talvez não seja nem dentro do prazo estipulado por ela mesma!

Tudo isso é uma tremenda pisada na bola? Com certeza! É uma situação até fácil de explicar, mas isso não ameniza o fato de que toda essa conjuntura abala as expectativas dos autores, gera ansiedades… Esse tópico do texto, portanto, pretende ajudá-los apenas de uma forma: sugerindo calma, tolerância, paciência, por mais que vocês estejam certos. É claro que situações extremas podem causar a mais justa indignação, mas os autores não têm muito o que fazer quanto a isso, talvez apenas entrar em contato com a editora para se manifestar, enviar cartas públicas e, infelizmente, “aguardar mais um pouco”…

9. Ajuda se eu “ficar em cima”?
Não necessariamente; na verdade, isso pode ajudar ou atrapalhar. Pode ser que a equipe da editora esteja um pouco desorganizada e o seu “toque” por e-mail colabore para colocar tudo de volta nos eixos; por outro lado, insistir demais pode causar má impressão (“pessoa ansiosa demais” ou coisa parecida) ou apressar a resposta sobre o seu projeto e, como eu já disse, resposta rápida provavelmente é negativa!

É preciso que o autor encontre um equilíbrio entre cobrar uma merecida resposta (se a editora, em suas normas de submissão, comprometeu-se a sempre dar respostas, ainda que negativas) e compreender a infraestrutura (talvez insuficiente) da editora para avaliar os originais. Ou seja, um equilíbrio entre se mostrar “comprometido e dedicado” e soar “chato, inconveniente”.

Estipule um prazo razoável para cobrar a sua resposta e só faça isso se o prazo original já tiver esgotado. Eu sugiro que os contatos sejam feitos por e-mail: mensagens eletrônicas podem ser armazenadas e encaminhadas com facilidade, enquanto um telefonema para uma pessoa que não é a responsável pelo assunto gera, na melhor das hipóteses, “um papelzinho com o recado”, que pode ser facilmente perdido… e aí a sua cobrança não terá surtido efeito nenhum.

10. Se a editora não gostar do meu livro, posso pedir o material impresso de volta para mandar a outro lugar?
Como é a última perguntinha, também é a última vez que vou repetir isso; ainda assim, desculpem pela redundância: depende da pesquisa! Se, nas normas editoriais de submissão, a empresa deixou claro que não devolve originais, não adianta pedir. Se ela não mencionou nada sobre a devolução dos impressos, vale perguntar, mas é provável que ela não faça isso: imaginem os custos de correio para devolver todos os originais recebidos que foram recusados!

Agora, sobre mandar o mesmo original para várias editoras… A minha opinião é que você não precisa, necessariamente, esperar a resposta de uma empresa para só então mandar para a outra. Vale um pouquinho de bom senso novamente: por exemplo, tomar nota da sequência de envio para as editoras, para saber quem recebeu primeiro; dar um pequeno intervalo de vantagem para uma ou outra, conforme sua preferência… Porém, se houver alguma disposição nas regras de envio de originais que exija exclusividade por certo tempo, acho de bom tom que seja respeitada.

Para os casos de envio por e-mail, tomem muito cuidado! Eu acho mais adequado fazer um e-mail especial para cada editora, enviar um por vez (deve haver algum jeito prático de fazer, online ou com algum programinha), porque ajuda a iniciar a relação de forma mais personalizada. Você até pode enviar um e-mail genérico, simultâneo, porém jamais coloque todos os endereços no campo “Para” (neste você preenche seu próprio e-mail novamente), use “Cópia oculta” (CCO).

Bônus! :)

  • Não esqueçam de marcar, por fora e por dentro do envelope (ou no assunto do e-mail), à qual departamento da editora o original se dirige. Use Depto. Editorial se houver apenas um selo e adicione o nome do mesmo, se houver divisões (Depto. Editorial – Companhia das Letrinhas, por exemplo).

  • Alguns autores gostam de enviar um e-mail com breve sinopse (às vezes até mesmo sem isso!) para saber se a editora tem interesse em receber o original completo. Considero essa troca de mensagens desnecessária; vale mais pesquisar a linha editorial para saber se o seu texto casa bem com ela, do que “forçar” a equipe da editora a avaliar isso por vocês. A intenção de despertar o interesse, de “dar um gostinho”, pode acabar desvirtuada.

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4 comentários sobre “MAIS cinco coisas que você sempre quis saber…

  1. A regra de esperar a resposta de editora por editora pode funcionar pra quem só tem um original e não tem um projeto de carreira literária bem definido. Pra um autor com um projeto, o tempo conta muito. Esperar seis meses por uma resposta pra só então enviar para outra editora, depois mais seis meses e assim sucessivamente só é uma maneira de inibir a profissionalização. A não ser que o autor escreva dúzias de livros sem publicar nenhum, estando totalmente comprometido com a obra, e não com a visibilidade. Mas isso também acaba soando pouco profissional, pois livros não existem sem leitores, sem uma avaliação.

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  2. Olá, Amâncio Siqueira, obrigada pela visita e pelo comentário!
    Concordo com você: a resposta de cada editora pode demorar muito, não vale a pena esperar. Foi o que eu disse no post: fica a critério do autor, conforme a preferência, porque muita gente tem lá suas editoras favoritas, rs! Mas você tem toda a razão sobre a questão da profissionalização, talvez um capricho como esse acabe saindo como um tiro no pé e atrase todo o processo.
    A busca por leitores e a divulgação são assuntos para vários post inteiros! E digo mais: não só o ciclo da literatura se completa apenas com a fruição do texto por um leitor, como também faz parte do papel dos autores em geral o trabalho de formar leitores, ou motivar a ampliação de seu universo de leituras.

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  3. Falo até por experiência própria: enviei o original do meu primeiro romance para uma editora grande, a maior do Brasil. Chegou uma carta dizendo que em seis meses eles diriam se tinham interesse na publicação. Fiquei com o livro engavetado nove meses, esperando uma resposta que nunca veio. Daí me afobei e enviei pra uma pequena, por demanda, e o publiquei tão logo foi aceito. Se tivesse a experiência que tenho hoje (e tivesse estudado o mercado editorial como faço agora) não teria feito nem uma coisa nem outra. Teria enviado para várias editoras e esperado a resposta de todas, para comparar as melhores propostas, se ele fosse aceito por mais de uma. Aprendi também que mais importante do que publicar é ministrar cursos, palestras, participar de eventos. É assim que se chega ao leitor. É claro que pra isso é necessário ter ao menos uma obra, mas a obra sozinha não chega ao leitor.

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